Pensar a pandemia se faz mais necessário do que nunca, visto o contexto brasileiro anômalo no qual ela se insere, com sua inédita e não menos histórica distribuição de ódio vindo de poderes máximos da República.

Renato Janine Ribeiro nos contempla com uma visão filosófica pessoal, cotejando essa catástrofe com qualidades humanas básicas como compaixão, piedade, solidariedade. Conceitos primordiais no verdadeiro significado da palavra, mas relegados no altar de uma política nestas latitudes que rechaça o humano, que despreza "fazer o bem". Janine revisita esses conceitos num Rousseau muito simbolicamente indo prestar homenagem a Diderot encarcerado, e repisa em Marx a noção de tarefas possíveis de serem cumpridas (frente à pandemia!), num desvio do Marx mainstream como conhecemos o arauto alemão da filosofia sociológica, a quem poderíamos prestar mais atenção nos últimos tempos.

Janine louva aqui o empenho pelo conhecimento e pela ciência, nem sempre óbvio no peculiar Brasil de hoje com sua vida pública perversa, bem como o corolário deles em termos práticos, a tecnologia. O todo com uma elegância na escrita típica de nosso antigo ministro da Educação.

Nesta breve alocução aos sentidos machucados de nossa Nação, Janine, atento filósofo político, se estende no preceito de que, em primeiro plano, o que nos rege na vida pública é a ética enquanto questão aberta, jamais encerrada. "A ética sempre exige mais."

Duas ideias filosóficas e a pandemia

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