Histórias do Jardim Botânico: um Recanto Proletário na Zona sul Carioca (1884 - 1962)

 

Subverter o imaginário da zona Sul carioca chamando o Jardim Botânico de subúrbio. […] Muita pesquisa empírica nos ricos arquivos da Biblioteca Nacional e no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, bem como fontes orais e um desejo de conhecer as raízes do bairro onde Luciene cresceu e ainda habita, somados à uma escrita leve e clara, nos instigam a redescobrir o Jardim Botânico experienciado por pessoas de carne e osso, operários imigrantes italianos e de outras regiões do mundo e do Brasil que lá chegaram para trabalhar nas fábricas têxteis.

Andrea Casa Nova Maia, Professora Associada de História do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Luciene Carris faz um prazeroso convite ao leitor com esse livro. Na melhor tradição dos cronistas, alguns dos quais estudados e citados aqui, somos guiados pelas ruas do bairro do Jardim Botânico e os vizinhos Gávea e Lagoa. A partir das ruas que transita, a autora vai nos contando a história do bairro, do que existiu e do que ainda existe, mesclando o trabalho da historiadora _ sem descuidar do rigor da escrita histórica no uso de vasta documentação e método de pesquisa_ com as suas próprias memórias e indagações que fez ainda criança… e que a adulta buscou responder e entender. Assim como o trajeto das ruas, Luciene escolhe caminhos nem sempre retos. Dobra esquinas, dá meia volta e parte às vezes de sua história individual para conduzir o leitor à história do bairro, da cidade e do país. E ainda, articula diversas dimensões do fazer histórico com o ato de sentar-se num boteco ou tomar café numa padaria.

Assim, prédios, ruas, instituições, acontecimentos, pontos do comércio local, favelas, fábricas, botecos, lugares e personagens, são mostrados nesse passeio, que nos apresenta, entre outros moradores ou visitantes do bairro, Machado de Assis e Tom Jobim; mostra as descrições exuberantes da Lagoa Rodrigo de Freitas, da Floresta da Tijuca, e do Imperial Jardim Botânico feitas por cientistas e pintores que chegaram ao Brasil Oitocentista e as chuvas que continuam a inundar o bairro; nos conta das lutas operárias de quando a região era um subúrbio fabril e as atuais ameaças de remoção ao Horto… personagens, eventos e lugares visitados no percurso e explicados pela autora com maestria. E é nesse percurso, que fazemos através das ruas e das décadas, que acompanhamos o processo de transformação da área em bairros de classe média. Novamente, a história individual, da autora que mora no Horto sob a ameaça de remoção, se junta à História Urbana, Social, Política, sem que a autora solte nossa mão, numa escrita leve e fluida, que nos faz ler o livro como quem de fato realiza um passeio profundo, por vezes até dramático, mas muito agradável pela cidade e sua história.

Mário Brum é professor de Teoria e Ensino de História do Departamento de História da UERJ.

Histórias do Jardim Botânico

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