Considerado o primeiro registro autoral sobre o Parque Lage e a EAV, livro conta com textos de Malena Barretto, Anna Bella Geiger e Claudia Saldanha. Não espere encontrar a exatidão das formas na obra da pintora e fotógrafa Erna Alfaro Sáa. Com a cabeça e os olhos focados em detalhes singulares do Rio de Janeiro, a artista apresenta seu primeiro trabalho fotográfico: um livro autoral com imagens captadas no Parque Lage e na Escola de Artes Visuais.

A escolha não é aleatória. Esta fotógrafa nascida no Chile, que desde os anos sessenta adotou o Brasil como residência, elegeu o Parque Lage como um dos seus locais preferidos. E é lá que a artista procura com sua câmera as cores e transformações da natureza. Parte do seu acervo fotográfico poderá ser visto nesta edição, que preenche uma lacuna em relação aos livros de arte que tratam de espaços icônicos no Rio, como é o caso do Parque Lage. O livro reúne 150 imagens, além de textos assinados pela ilustradora botânica Malena Barretto, a artista visual Anna Bella Geiger e a ex-diretora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), Claudia Saldanha. “De todas as ideias que chegaram às minhas mãos, o livro de ErnaAlfaro foi, sem dúvida, uma das que mais me impressionou. Este ensaio fotográfico, que agora se torna público, é o primeiro registro sob um olhar autoral de que temos notícia e, certamente, poderá atingir e contaminar todos nós com sua fascinante e pujante poesia”, sublinha Claudia Saldanha.

A busca pela luz perfeita pode ser vista em ângulos incríveis de plantas, árvores, peixes, arquitetura do casarão, entre outros assuntos fotografados numa linguagem visual original. “Foi uma curadoria dificílima. Levei mais de um ano para escolher as imagens do livro”, diz a artista, que possui um acervo com mais de cinco mil fotos do Parque Lage. Erna Alfaro não aborda as paisagens de forma tradicional, mas certos detalhes que podem passar despercebidos. Dedicou um capítulo inteiro, por exemplo, às palmas, uma de suas plantas preferidas, registrada em diferentes situações: submersas, secas, com reflexo nas águas e por aí vai. “É o meu olhar sobre o Parque Lage e a natureza, onde encontro elementos que introduzem algo insólito na fotografia, algo que está aí, mas que depende do olhar para vir à superfície”, sublinha Erna.

Na orelha da edição, a ilustradora botânica Malena Barretto chama atenção para a liberdade criativa da fotógrafa. “Seu trabalho procura desvendar certas características inerentes, como o desenho magnífico das palmas, a delicadeza dos bambus, a força das árvores, o movimento dos peixes, a maleabilidade das águas e a modificação dos elementos submersos. Tecendo texturas, luzes e uma gama de cores e reflexos, o que vemos é a própria natureza na sua infinidade de formas e constante mutação”

O Parque Lage e a Escola de artes visuais

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