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Durante toda a minha infância e adolescência pensei que Iepê, palavra oriunda do tupi-guarani, significasse “liberdade”. Na realidade, descobri a bem pouco tempo, Iepê significa algo como “um lugar único”, “o número um” ou simplesmente o numeral um. Pelo menos é assim que o engenheiro, geógrafo e historiador Teodoro Sampaio traduz o fonema Yepê no seu livro escrito em 1901, O Tupi na Geografia Nacional. Significando seja liberdade ou lugar único, o nome em tupi-guarani faz, sem querer, uma referência aos índios Guaranis que um dia habitaram as margens do Rio Paranapanema, cujas águas, hoje represadas, banham Iepê. Quando menino, eu e meus primos nos divertíamos procurando vestígios dessa ocupação indígena, na forma de pontas de flecha e machadadas de pedra ou no que chamávamos apropriadamente de “cacos de índio”, isto é, os fragmentos das belas cerâmicas decoradas que eles deixaram ao abandonar essas terras, há cerca de 800 anos. Há cerca de 30 anos, meu pai e minha mãe vieram morar no município, em uma casa próximo à cidade. Durante toda a longa vida de meu pai eu só conheci dois únicos amigos dele. Em Iepé, no dia da sua morte, me deparei com mais de 50. Descobri que meu velho tinha uma vida secreta aqui. Em 2016, questões familiares me trouxeram de volta à cidade, e então me propus a documentar fotograficamente a região. Com mais de 40 anos fotografando praticamente em todo o Brasil, me vi em uma situação sui generis: todos aqui me conheciam sem que eu os conhecesse sequer pelo nome. A identidade de “O fotógrafo”, que quase sempre me permitiu entrar nas casas de quem eu nunca vira, não funcionou aqui. Em Iepê eu tenho uma outra identidade que eu mesmo desconheço. Edu Simões

Yepé Edu Simões

R$ 150,00Preço
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